Diego Simeone concedeu uma entrevista ao jornal El País e falou de forma descomplexada, talvez encorajado por a conversa ser conduzida pelo antigo selecionador Vicente Del Bosque.
O treinador do Atlético de Madrid falou muito sobre as suas ideias de jogo e analisou o plantel, mas começou por explicar a dedicação ao clube. «De um dia para o outro começaram a gostar de mim sem que eu tivesse dado alguma coisa. Cada vez que voltava a Espanha, mesmo a jogar noutro clube diziam ´olha o Cholo [alcunha], o do Atlético’. Todos me associavam ao clube», recordou.
Simeone falou então da relação com os jogadores, do ambiente que gosta de promover: «O que queremos é que sejam cúmplices do trabalho que estamos a fazer, que o sintam. Digo-lhes que me sinto melhor como treinador quando vejo o trabalho dentro de campo.»
Mas gerir um plantel nem sempre é fácil. «Quando começa o jogo nós também estamos em campo e o resultado têm influência sobretudo em cima do treinador. Por isso temos de ir atrás do que queremos. Um dia, custará mais a um, noutro, custará mais a outro. Não sou homem de falar todos os dias com os jogadores para lhes dizer por que jogam ou por que não jogam. É algo muito difícil de explicar. E agora temos um plantel ótimo… como explicar a Griezmann, Correa, João [Félix]... que, naquele dia, não vão jogar? Apenas temos de procurar o melhor para cada jogo.»
Del Bosque, homem do futebol, quis saber o que sente quando vê um jogador mal-disposto por ser substituído, alguns atiram equipamento ou garrafas. Ele, Del Bosque, não gosta. «Isso é porque vivemos num mundo em que copiamos continuamente. Copiamos o que o outro faz. Se vejo na televisão que alguém com raiva, por que não fico também? Digo aos jogadores que não é a mim que estão a desrespeitar, é ao companheiro que entra. Quando os jornalistas me perguntam, digo para perguntarem ao jogador», explicou.
Voltando ao seu estilo, Simeone disse que se inspira em Marcelo Bielsa, treinador do Leeds. «Oiço muito. Estou sempre aberto para ouvir as necessidades dos jogadores, mas depois decido eu. Se há algo que não sou, é parvo. Posso ser mau treinador, mas parvo não sou certamente», atirou. «Bielsa, que era muito estruturado, que tinha os movimentos muito mecanizados, dizia que o seu maior orgulho era que um jogador decidisse por si mesmo. A mecanização gera-te um estímulo para repetir coisas, mas é aí que deve aparecer o outro 'tu' e acrescentar algo àquilo que te dizem os treinadores», explicou.
